Tira o dedo do nariz e não tuita sobre a escola!

Todos acompanhamos o episódio Twitter/Locaweb/SãoPaulo/Bambi e ontem acompanhamos com farta documentação o case National Geographic Br/Abril.

Essas novidades todas como as mídias sociais vão chegando numa velocidade absurda e a gente entrando nelas tão rápido quanto, que tem horas que as coisas acontecem, como os episódios acima, porque ninguém parou para pensar e, muitas vezes, sequer se deu conta do que estava fazendo, falando, dizendo.

Não acho que alguns dos casos citados se tratava de um jovem recém entrado no mercado de trabalho e portanto pouco informado sobre esse novo mundo. Mas seja como for, certamente a cervejinha do pós-futebol ou o engajamento na causa dos índios turvou um pouco o cenário e causou o estrago todo.

Se eu, como empreendedor e dono do meu próprio negócio, disser pros meus funcionários que se eles forem para a Av. Paulista, pegarem um megafone e difamarem a empresa ou seus produtos assim em um local público, correm o risco de perderem o emprego, todos acharão normal.

Mas, quando fazem isso – falar em lugar público – no Twitter, as pessoas ficam indignadas, não entendem.

Tenho definido o Twitter para quem não o conhece, como um lugar onde se travam conversas de boteco, fala-se de tudo, de todos, chora-se e se dá risada. O que não tenho explicado, pois me parecia óbvio (o que vejo que não é), é que se trata de uma conversa de bar com broadcast, ou seja, com transmissão ao vivo e a cores, como se fosse uma partida de futebol na TV.

Assim, tuitar falando mal da sua empresa é fazer broadcast disso pra todo mundo, como se fosse o megafone na Paulista. E isso não pode. Ou melhor, pode, mas tem conseqüências.

Hum?

Mas o Twitter não é uma coisa pessoal, afinal tem o @nomesobrenome do seu dono, portanto não é da empresa? Pois é, verdade. Mas médio verdade. Na conversa de bar sem broadcast a gente fala mal da empresa que trabalha e tudo bem (numas, mas tudo bem). Qual a diferença? A diferença é o broadcast, transmitir aquilo pro mundo todo e de forma documentada. Então o editor da National Geographic não pode expressar livremente uma opinião sobre a empresa/grupo que trabalha sem correr o risco de ser demitido? Não pode. E a liberdade de expressão, como fica? Qualquer um tem total liberdade de expressar o que quiser no Twitter, o que não pode, e é bem diferente, é achar que isso não pode ter conseqüências como a demissão.

Ninguém é obrigado a trabalhar em lugar nenhum e, portanto, se a pessoa está infeliz, discorda da empresa e resolve se manifestar em público, é justo que a empresa não queira um colaborador assim, não é?

#putafaltadesacanagem ?

Parece, mas não é. Se fosse no megafone, todos concordariam. O Twitter é um mega-hiper-super-megafone!

Esses episódios todos me fizeram pensar que, se eu tivesse filhos, além de ensinar eles a escovar os dentes todos os dias, não tirar caca do nariz, lavar as mãos depois de fazer xixi, tomar banho todo dia, etc, etc, eu também investiria algum esforço em ensiná-los a não falar mal dos outros no MSN ou no Twitter, não dar forward em emails indiscretos para todos os amigos, não colocar fotos engraçadinhas (ou atrevidinhas) na Internet, não escrever coisas no blog que você não diria na cara dos amigos…. Coisas simples, que todos fizemos na infância, em papos, cartas, bilhetinhos, rodinhas na rua, brigas de criança… Mas que como não tinham o efeito broadcast, eram inofensivas e morriam rápido.

Não morrem mais e não são inofensivas.

Ou perder um emprego que se gosta e ainda virar notícia é inofensivo?

#prontocomplicou !

Filho, vai tomar banho!!!

bob3x4Bob Wollheim é empreendedor e publisher da ResultsON


 

Sobre o autor

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10 Comments em “Tira o dedo do nariz e não tuita sobre a escola!”

  • Leonardo_Simões escrito em 12 Maio, 2010, 11:20

    Falou e Disse!

  • Leo Palagi escrito em 12 Maio, 2010, 11:58

    Bob, 
    Liberdade tem, e sempre teve, suas consequências… E essa é beleza da coisa.
    Promovemos o tempo todo a máxima das Mídias Sociais que é  ”estar aberto ao diálogo”, “ouvir e responder”, entre outras belíssimas histórias, mas muitos por aí entendem isso como algo que vale SOMENTE para as corporações.
    “Comigo, o usuário, não! Eu posso tudo!”
    Sim! Podemos tudo, mas hoje com esse novo conceito de comunicação, somos todos “Veículos de Mídia”, transmitindo mensagens sobre nossas marcas (Marca Pessoal e Profissional) que vão ser consumidas por nossos expectadores (leia-se seguidores do twitter ou amigos do orkut). 
    Essa é a idéia básica da tal “Mídia Social”.
    Meu diálogo, minha postura nestas mídias e muitas vezes o *meu trabalho* vão determinar o tamanho e a aderência da minha audiência que consome minhas mensagens e amplificam seu poder de disseminação.
    Como isso, eu como *veículo de mídia* preciso começar a medir qual é a mensagem que divulgo neste meio, ponderando qual será o impacto sobre minha audiência e sobre todas as marcas que represento.

    Estamos preparados para lidar com isso de forma madura? Quantos mais vão ser demitidos  até que isso seja absorvido pelo mercado?

    Veremos!
    PS: Vc me deve um almoço =)

  • person araujo escrito em 12 Maio, 2010, 12:46

    olá, bob, td bem?
    vou discordar em parte: faltou bom-senso ao demitido, claro, mas o conteúdo do comentário foi infinitamente mais grave do que a falta de noção (o que dá a dimensão da ca**da feita). racismo é crime. chamar alguém de racista sem prová-lo é injúria, o que também é crime; e foi o que o moço fez. Isso deveria ser o básico na formação do rapaz, não?

  • Bob Wollheim escrito em 12 Maio, 2010, 12:58

    Bons pontos.

    Leo – vamos marcar logo esse almoço?!

    Person – vc tem razão. Faltou muita coisa. Mas o assunto é complexo mesmo… uma coisa leve, por exemplo, mas que faça um cliente da empresa se sentir ofendido…. o que se faz com o colaborador que tuitou?

    Complicado, né?

  • Fernando Salles escrito em 12 Maio, 2010, 15:30

    Bob, o que é melhor para uma empresa: saber que o funcionário está insatisfeito no momento em que ele comunica sua demissão e desfalca a empresa ou ter oportunidade de saber disso antes e tentar resolver o problema (caso ele, de fato, exista)? Talvez você responda que é melhor saber antes mas em uma conversa direta e a portas fechadas. OK, mas a questão principal é a seguinte: se uma empresa não quer receber críticas, que não dê motivo para que elas apareçam. Não quer tomar “olé” no fim do jogo? Simples. Ganhe a partida.

  • person araujo escrito em 12 Maio, 2010, 17:26

    Pois é, Bob, essa situação é bastante comum no funcionalismo público, mas o setor público é um ‘mundo à parte’, não serve como parâmetro… mas cá entre ‘os normais’ a situação é outra. Demonstrações de insatisfação na empresa costumam pesar bastante por entre as diretorias, não? Mas, reconheço: há casos e casos. Infelizmente para o editor da National Geographic, não foi o caso dele.

    Abraço. Saúde e patacas!

  • Bob Wollheim escrito em 12 Maio, 2010, 18:53

    Fernando, não sei se é bem assim. Críticas de consumidores é uma coisa. Crítica público de colaborador, é outra. Não é questão de ganhar ou não o hoje. Já pensou se seu chefe tuitasse sobre a sua competência (ou a falta dela) pra todo mundo? Não seria bacana, seria?

  • joselito escrito em 15 Maio, 2010, 16:58

    E desde quando matéria jornalistica é produto à venda?

  • Magrão Soares escrito em 8 Junho, 2010, 23:48

    Aplaudo de pé a inofensiva postura do cara da National! E desde quando “perder” emprego que se gosta é ofensivo? É ofensivo virar notícia por que sua consciência falou (tuitou) mais auto? Manda ver!

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