Você já teve uma grande ideia hoje?
- Terça-Feira, 13 de Abril de 2010, 13:30
- Fernanda Nudelman
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Durante o mês de março, aconteceu a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (#2010CICI), em Curitiba. Muitos palestrantes chamaram a minha atenção para o evento: Pierre Levy, Jaime Lerner, Augusto de Franco… Mas quando avistei o nome de Steven Johnson no meio da intensa programação, automaticamente meu dedo clicou em “fazer minha inscrição.
(Para quem não conhece, vale a pena pesquisar sobre Steven Johnson e suas teses pós-modernas. Recomendo fortemente seu livro “Emergência”)
Um dos temas abordados por Johnson em sua palestra foi: “ideias: como surgem? de onde vem? como desenvolvê-las?”
Hoje em dia, muito se fala em inovações e ideias inovadoras, parece que todo mundo quer ter ideias o tempo todo para ser considerado um criativo, um inovador e até um empreendedor.
Como publicitária, participei de muitos brainstormings, onde vários criativos se fechavam em uma sala e tinham que conversar, metaforizar e “viajar na maionese”, e só sair de lá quando ideias geniais surgissem.
Cansei dessa vida, então fugi do mundo publicitário e, por consequência, das reuniões de brainstorming. Tentei me “curar” numa clínica chamada empreendedorismo.
Tudo estava indo muito bem, pois eu tinha UMA ideia que funcionava bem. Logo, percebi que aquela ideia demandava novas ideias e que a cada dia eu precisava inovar para o negócio não estagnar. E, mais grave, percebi que as pessoas esperam muitas novas ideias de um empreendedor, parece que quando paramos de ter ideias, deixamos de empreender.
Bom, já devem ter se identificado com algumas dessas situações, certo? Então voltemos à palestra do Steven Johnson.
Ele tentou desmitificar a genialidade e rapidez das ideias. Vejamos alguns conceitos-chave citados por Johnson sobre como ter boas ideias:
IDEIAS SÃO UMA REDE - Quando você tem uma ideia, acontece um novo tipo de configuração na sua cabeça. Ideias vêm de redes: rede de neurônios, rede de acontecimentos, rede de pensamentos, rede de sonhos e até rede de pessoas. Uma ideia nunca é um fato isolado.
DICA LENTA E INTUIÇÃO – A maçã de Newton ou Eureka! de Arquimedes são lendas, são contos, podem ser até piadas. Não acreditem nestas epifanias geniais. Ninguém tem uma ideia mágica assim em um minuto, todas grandes e importantes ideias foram geradas depois de muito tempo, muito estudo e muita dedicação. Johnson chama isso de “dica lenta”: nossa cabeça deve digerir todas as dicas que passam por ela ao longo dos dias, lentamente. Devemos aprender a criar ambientes onde estas “dicas” possam florescer, conversar com pessoas que possam jogar mais adubo nessas “dicas” e assim ir formando a ideia dentro da nossa cabeça.
SERENDIPIDADE – Há muitos anos, este termo designava ideias surgidas ao acaso, descobertas fortuitas, como os casos de Newton ou Arquimedes. Hoje, este termo difícil e mais comumente usado em inglês – serendipity – fala de situações e ambientes propícios para a geração de ideias, já que sabemos que o acaso não é suficiente. Johnson cita como fator-chave de sucesso as pessoas (muitas delas). Quanto mais gente envolvida em uma mesma ideia, mais rica e assertiva ela será. Na ultima década, usamos muito uma palavra que resume bem isso: colaboração.
EXAPTAÇÃO – Este termo vem da evolução biológica dos seres. Depois, este termo foi transferido para o significado de qualquer ferramenta que é utilizada para uma outra função que não era sua função primária. Na web, temos milhões de exemplos desses: todas as comunidades virtuais, os e-commerces e os games são exemplos de exaptação do mundo offline para o online. Segundo Johnson, a melhor forma de incentivar a exaptação das ideias é juntar sempre o maior número de pessoas de áreas diversas e pesquisar nos mais variados campos, não se restringir à sua área de atuação. Aqui, ele enfatiza o poder dos ambientes multidisciplinares.
RECICLAGEM – Dando sequência ao conceito anterior, Steven disserta sobre a reciclagem de ideias: “espaços devem ser reciclados, devemos repensar constantemente o ambiente à nossa volta. Ideias são automaticamente reutilizadas quando se juntam novas pessoas a pensá-las. Informações vem do compartilhamento.”
Well well, Mr Johnson, tudo isso é muito bonito na teoria. Agora vamos exercitar estes conceitos da próxima vez que precisarmos ter uma grande ideia e ver se realmente funciona.
Estou aqui, para trocar ideias com quem quiser.
Fernanda Nudelman Trugilho é fundadora do Pto de Contato, espaço de coworking situado em São Paulo
Em março, aconteceu a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (#2010CICI), em Curitiba. Muitos palestrantes chamaram a minha atenção para o evento: Pierre Levy, Jaime Lerner, Augusto de Franco… Mas quando avistei o nome de Steven Johnson no meio da intensa programação, automaticamente meu dedo clicou em “fazer minha inscrição.
(Para quem não conhece, vale a pena pesquisar sobre Steven Johnson e suas teses pós-modernas. Recomendo fortemente seu livro “Emergência”)
Um dos temas abordados por Johnson em sua palestra foi: “ideias: como surgem? de onde vem? como desenvolvê-las?”
Hoje em dia, muito se fala em inovações e ideias inovadoras, parece que todo mundo quer ter ideias o tempo todo para ser considerado um criativo, um inovador e até um empreendedor.
Como publicitária, participei de muitos brainstormings, onde vários criativos se fechavam em uma sala e tinham que conversar, metaforizar e “viajar na maionese”, e só sair de lá quando ideias geniais surgissem.
Cansei dessa vida, então fugi do mundo publicitário e, por consequência, das reuniões de brainstorming. Tentei me “curar” numa clínica chamada empreendedorismo.
Tudo estava indo muito bem, pois eu tinha UMA ideia que funcionava bem. Logo, percebi que aquela ideia demandava novas ideias e que a cada dia eu precisava inovar para o negócio não estagnar. E, mais grave, percebi que as pessoas esperam muitas novas ideias de um empreendedor, parece que quando paramos de ter ideias, deixamos de empreender.
Bom, já devem ter se identificado com algumas dessas situações, certo? Então voltemos à palestra do Steven Johnson.
Ele tentou desmitificar a genialidade e rapidez das ideias. Vejamos alguns conceitos-chave citados por Johnson sobre como ter boas ideias:
IDEIAS SÃO UMA REDE - Quando você tem uma ideia, acontece um novo tipo de configuração na sua cabeça. Ideias vêm de redes: rede de neurônios, rede de acontecimentos, rede de pensamentos, rede de sonhos e até rede de pessoas. Uma ideia nunca é um fato isolado.
DICA LENTA E A INTUIÇÃO – A maçã de Newton ou Eureka! de Arquimedes são lendas, são contos, podem ser até piadas. Não acreditem nestas epifanias geniais. Ninguém tem uma ideia mágica assim em um minuto, todas grandes e importantes ideias foram geradas depois de muito tempo, muito estudo e muita dedicação. Johnson chama isso de “dica lenta”: nossa cabeça deve digerir todas as dicas que passam por ela ao longo dos dias, lentamente. Devemos aprender a criar ambientes onde estas “dicas” possam florescer, conversar com pessoas que possam jogar mais adubo nessas “dicas” e assim ir formando a ideia dentro da nossa cabeça.
Dentro dos escritórios do Google, os funcionários são orientados a dedicar 20% do seu tempo para “pensar fora da caixa” e não se preocupar com produtividade, com as entregas para o chefe ou para os clientes, mas escutar sua intuição e digerir as “dicas lentas” que rondam suas cabeças ao longo do dia. Desses momentos de aparente descontração, surgiram grandes ideias para a empresa, vindo de funcionários aleatórios, independente de seu cargo, que se tornaram grandes inovações.
SERENDIPIDADE – Há muitos anos, este termo designava ideias surgidas ao acaso, descobertas fortuitas, como os casos de Newton ou Arquimedes. Hoje, este termo difícil e mais comumente usado em inglês – serendipity – fala de situações e ambientes propícios para a geração de ideias, já que sabemos que o acaso não é suficiente. Johnson cita como fator-chave de sucesso as pessoas (muitas delas). Quanto mais gente envolvida em uma mesma ideia, mais rica e assertiva ela será. Na ultima década, usamos muito uma palavra que resume bem isso: colaboração.
EXAPTAÇÃO – Este termo vem da evolução biológica dos seres. Depois, este termo foi transferido para o significado de qualquer ferramenta que é utilizada para uma outra função que não era sua função primária. Na web, temos milhões de exemplos desses: todas as comunidades virtuais, os e-commerces e os games são exemplos de exaptação do mundo offline para o online. Segundo Johnson, a melhor forma de incentivar a exaptação das ideias é juntar sempre o maior número de pessoas de áreas diversas e pesquisar nos mais variados campos, não se restringir à sua área de atuação. Aqui, ele enfatiza o poder dos ambientes multidisciplinares.
RECICLAGEM – Dando sequência ao conceito anterior, Steven disserta sobre a reciclagem de ideias: “espaços devem ser reciclados, devemos repensar constantemente o ambiente à nossa volta. Ideias são automaticamente reutilizadas quando se juntam novas pessoas a pensá-las. Informações vem do compartilhamento.”
Well well, Mr Johnson, tudo isso é muito bonito na teoria. Agora vamos exercitar estes conceitos da próxima vez que precisarmos ter uma grande ideia e ver se realmente funciona.
Estou aqui, para trocar ideias com quem quiser.



Fer,
Gostei muito dos pontos levantados. No final acho que o mais importante é sempre absorver informações externas, gerar ideias frenéticamente e estar disposto a abandonar ideias ruins.
É tudo uma questão de aplicar os conceitos de Darwin para as ideias. Influência externa (mutação), alta velocidade na geração e compartilhamento das ideias (replicação) e foco no que dá certo (seleção).
Vale a pena ver uma palestra do TED chamada “Sobre memes e temes”.
Abraços!