Empreendedor: ser ou nascer?
- Quinta-Feira, 28 de Janeiro de 2010, 14:56
- Colaboradores, Fernanda Nudelman
- 14 comments
Há tempos, me pergunto: o que faz de uma pessoa um bom empreendedor?
Lendo O livro negro do empreendedor, de Fernando Trías de Bes, meu palpite foi confirmado: ser empreendedor é uma habilidade inata.
Já tive algumas experiências frustradas de tentar convencer amigos de que o empreendedorismo está entre as formas mais prazerosas de tocar a vida. Porém, vendo meu corre-corre diário, minhas angústias e dúvidas constantes, muitos desistiam da ideia e ainda tentavam me dissuadir desta vida louca de empreendedora.
Desistir da loucura? Nunca. É este frenesi e estas incertezas que movem o empreendedor. “O verdadeiro empreendedor é aquele que tem prazer em movimentar-se em um ambiente de incertezas”, escreveu o autor do livro acima. Nosso prazer é conseguir enxergar certezas nas incertezas e mostrar às pessoas novas ideias “pescadas” do fundo de um poço de dúvidas. Porém, este não é um processo nada fácil, há vários obstáculos no caminho, a começar pela falta de apoio dos “não-empreendedores” que te cercam.
Você pode ter um dragão do empreendedorismo dormindo aí dentro de você, basta encontrá-lo e acordá-lo.
Pois bem, o empreendedor que de fato nasceu para isso, não vai se deixar abalar por esses estímulos externos e vai continuar sendo movido pelo que os autores chamam de “motivação intrínseca”. Esta motivação é a força que não deixa o empreendedor parar diante da primeira, segunda ou vigésima sexta dificuldade. É ela que ajuda o empreendedor a trabalhar 24 horas por dia sem se cansar; e a mesma motivação que elimina do vocabulário do empreendedor a palavra fracasso.
A má notícia é que a motivação intrínseca – este combustível inesgotável – não está à venda em nenhuma faculdade, estante de livraria, e nem mesmo em forma de aplicativo para o iPhone. Pode parar sua pesquisa. Dom empreendedor, ou você tem, ou você não tem.
A boa notícia? Bem, você pode ter um dragão do empreendedorismo dormindo aí dentro de você, basta encontrá-lo e acordá-lo. Como? Lendo livros sobre o tema, conversando com empreendedores que você admira e sentindo. O bom empreendedor, não apenas pensa, ele sente e ouve seu coração antes da tomada de importantes decisões.
Você gostou da provocação e está motivado por uma grande dúvida, neste momento? Vai dormir feliz sonhando com as incertezas?
Bingo! Grandes chances de termos descoberto mais um empreendedor por aqui.
Fernanda Nudelman Trugilho é fundadora do Pto de Contato, espaço de coworking situado em São Paulo
Sobre o autor
14 Comments em “Empreendedor: ser ou nascer?”
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Legal!
Quais livros você já leu sobre empreendedorismo? quais você indica?
Interessante, mas desconfio dessa coisa de empreendedorismo ser algo “inato” da pessoa. Gosto mais de pensar que é um vírus que as pessoas todas têm mas que umas despertam, outra não. Fica meio cruel se assim não for, não?
Adorei o texto. Bate com o que sinto neste momento! Concordo com boa parte, mas também concordo com o Bob. Entrevistei certa vez um cara expert nessa área – Luis Fernando Garcia – e ele separa tipos de empreendedores. Os inatos são incríveis, mas muitas vezes temerários. Justamente porque são 100% do risco, do trabalho, da energia, do fazer. Tem que ter tudo isso, mas é preciso também pé no chão, planejamento e calma nas decisões. O empreendedor inato é tão tão maluco que muitas vezes ele pode botar tudo a perder. Nesse caso, penso que é bacana você ter uma educação empreendedora, algo que, sim, você pode aprimorar ou deixar dormir. E essa educação, sim, qualquer um pode buscar! O que acha???
beijos!
Alan,
a bibliografia é enorme, listo aqui uns básicos, por onde começar:
“Inovadores em ação” – Labare, William
“Blink” – Gladwell, Malcolm
“Startup” – Livingston, Jessica
“O livro negro do empreendedor” – de Bes, Fernando
Bob,
sinceramente, não acredito que todas tenham. Concordo que o vírus pode estar adormecido dentro de um potencial empreendedor e ele pode ser despertado. Por outro lado, algumas pessoas podem se “revirar do avesso” que não vou conseguir encontrar a habilidade e o prazer em empreender.
É uma questão de perfil. Mas isso não é um problema. Que bom que existem diversos perfis e que se complementam. Já pensou se todos gostassem do amarelo?
O que tem me preocupado é ver a angústia de alguns jovens Gen Y que não se identificam como empreendedores, sentem-se frustrados, acham que não são considerados Gen Y. Mas isto não é um fato: há excelentes funcionários Gen Y.
Polêmico, né?! :)
Letícia,
na minha visão, empreendedor maluco é pleonasmo. :)
Mas, concordo que qualquer um pode (e deve!) buscar esta educação, mas a educação formal não basta para formar um empreendedor.
beijo!
Olá, Fernanda e Letícia
Estou aqui acompanhando a conversa de vocês e as reflexões do Bob.
Achei o texto instigante.
Se, por um lado a paixão por empreender pode ser, sim, viral, por outro, a necessidade de tomar riscos calculados e uma equipe de apoio podem ser fundamentais para o sucesso do negócio. Vejo hoje uma lacuna flagrante no mercado de ofertas de educação combinando teoria e prática, desenvolvimento pessoal e do negócio. Sorte que novas metodologias estão nascendo para preencher este espaço.
:-))
beijos
Eu acho que o empreendedorismo tem que estar ao alcance de todos. acho que temos que ter a educação empreendedora para mostrar aos jovens que eles podem optar por empreender ou por trabalhar em algum lugar, o que hoje, todos se formam com cabeça de empregado. Eu acho que o vírus que o Bob menciona pode despertar dragões adormecidos que a Fe disse, mas realmente empreender é uma arte. Quem nasceu para isso é que se destaca. Agora… o mais importante do tal “pé no chão” da LeleFagundes é transformar o empreendedor num empresário. Manter o brilho nos olhos e o tesão do empreendedor, aliado a competências, gestão e “pé no chão” do empresário. Ai, ninguém segura essa pessoa.
Fer,
Ótimo texto, principalmente pelas ótimas discussões geradas nos comentários.
Tendo a ir para o lado que Bob mencionou. Empreendedorismo é um vírus, algumas pessoas desenvolvem os sintomas outras não. Não acho que ninguém nasça empreendedor, é algo que se desenvolve, mas só em algumas pessoas que estão propensas a isso.
Sobre a definição do que é empreendedorismo, gosto muito da usada pelo Babson College:
“Empreender é uma forma de pensar e agir, obcecada por oportunidades, com visão holística e liderança focada em agregar valor.”.
A característica principal que eles mencionam é ser “unstoppable”, caso você tenha essa característica o vírus empreendedor se manifestará.
Engraçado que ainda não achei uma boa tradução para “unstoppable”, é muito mais do que ser incansável. Para ser empreendedor, a pessoa precisa nascer “imparável”, todo o resto é se desenvolve depois.
Abraços!
Concordo com a linha do Bob e do Fernando. Acho que seja pretensao achar que todos os donos de negocios de sucesso nasceram com esse gene.
Acredito muito numa variavel chamada convivencia. E o famoso “diga-me com quem tu andas que direi quem es”. E o virus que se propaga e contagia!
Faco questao de me aproximar e manter um ciclo de contatos pessoais e profissionais com pessoas que inspirem esse gosto pelo desconhecido! Pessoas que nao acreditam em fronteiras e que acham que podem revolucionar o mundo com as suas ideias e com o seu incansavel gosto de criar!
Acho que o video “Entrepreneurs can change the world” (http://www.youtube.com/watch?v=T6MhAwQ64c0) resume o que eu estou dizendo.
Esta de parabens pelo texto Fernanda!
Adorei o texto, Fe! A reflexão faz total sentido para mim.
Parabéns!
Muito polêmico e complicado! ;-)
Fe adorei o texto…e tinha acabado de comprar o Blink…risos…será???
será?????
Beijos e queijos,
Ana