O BRILHO DA ALMA
- Domingo, 16 de Novembro de 2008, 19:20
- Biz Rebel, Pocket
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“O melhor amigo da mulher!”
Anônima
A autora da frase acima nem parou para pensar.
Respondeu à queima-roupa à pergunta sobre o que era um
diamante. Lembro disso porque esta coluna é uma homenagem
póstuma a um grande homem: Zé Mato, o original. O Zé Mato,
meu amigo mágico, na verdade é o Matinho. Era um homem
digníssimo. Um fdalgo moderno, por assim dizer. À meia vida,
já muito endinheirado, Mato quis realizar seu sonho de infância:
colecionar carros antigos. Depois de muito pesquisar, ele
encontrou sua jóia rara: um Bel Air 1953, azul calcinha. Era sua
madeleine de Proust; o carro era perfeito, ou melhor, quase
perfeito, pois não era dele. E o pior é que o dono, um senhor
respeitável, não vendia o carro por orgulho.
De tanto insistir na compra de seu sonho, Mato fez
amizade com a esposa do dono do Bel Air, que começou a
lhe fazer confdências sobre a situação penosa que a família
estava atravessando. Ela própria incentivava o marido a vender
o carro e ganhar um fôlego fnanceiro de alguns meses. Mas o
proprietário era irredutível.
Passado um tempo, o dono do Bel Air falece subitamente.
Zé Mato, logo que soube da notícia, meio triste, meio alegre, já
mandou seus pêsames à viúva. Esperou passar o luto e fez uma
nova investida. Para surpresa dele, a mulher negou a venda,
alegando que queria preservar a memória do fnado marido. Eis
que o Mato dá então sua tacada de mestre: oferece o preço que
pagaria pelo carro em pepitas de diamante. A senhora, depois
de 13 dias sem contato, respondeu que sim! “O dinheiro compra
tudo que nós vemos, mas os diamantes compram as almas” –
era o seu chavão para terminar a história que, a mim, contou
mais de 30 vezes. Agora quem faleceu foi o Mato, mas sua alma
brilhante permanece.
Texto: Mauro Riot não coleciona diamantes, mas sim histórias
brilhantes que valem mais que uma pedra preciosa

